A freqüência com que troco de esmalte prova o quanto o tempo passa rápido, despercebido por entre os meus dedos. Cega de felicidade eu ignorei uma situação que não podia ser ignorada, quase tão grande quanto a minha alegria; e assim, rápida de simples ela se foi.
Isso tudo, apesar dos apesares, soa engraçado.
É ridícula a maneira com que me desligo facilmente do mundo, com toda a minha felicidade egoísta. Todo aquele encantamento, e toda aquela beleza me deixaram cega; cegada pelo meu próprio ego. Tão cega que não pude ver o término de algo tão bonito, tão mágico. A perda de uma pessoa que significava muito mais do que muitas outras.
E magicamente, como se fosse a coisa mais normal do mundo: substituída. Colocaram outra em seu lugar, tão imperfeita e tão maravilhosa quanto a anterior, e isso me dá náuseas.
Tenho tanto medo. Tanto medo de gostar dela. Tanto medo de me apegar, e me acostumar com a sua presença agradável e irritante. Não agüentaria mais uma perda tão forte, intensa quanto essa.
Tudo isso me dá vontade de voltar atrás, de deixar tudo, partir praquele mundinho tosco, apagado na sociedade, onde todos pensam que são ricos, e glamourosos, onde viverei de luxos desnecessários, e um punhado de alegrias momentâneas, aquele lugarzinho onde alguns me forçam a chamar de casa.