O que eu sou pra você?
As vezes eu penso que você é um adolescente mimado, e eu um ursinho de pelúcia velho, que você teve desde sempre.
Você cresce, amadurece, conhece o mundo e faz outros amigos que não são o ursinho velho.
Acaba indo embora, depois de cuidar, abraçar, e contar todos os seus segredos pro brinquedo, e o deixa lá, debaixo da cama, um lugar que você não pode ver que é pra você esquecer, e não bater a culpa.
Você acaba perdendo tudo o que criou, e volta pra casa chorando, e batendo portas. Se joga na cama, abraça o seu travesseiro, e lembra que um dia teve um urso, a quem contou tudo, e sabe que aquele brinquedo vai poder te ouvir.
Você olha debaixo da cama, e vê que eu estou lá, do mesmo jeito que estava, quando você me atirou lá, coberta de poeira.
Voce me pega pela mão, tira o pó, e me abraça forte, se escondendo no meu pequeno corpo, como se eu fosse algo maior, que possa te abraçar. E alguns dias depois, lá estava eu novamente, jogada debaixo da cama, trocada por uma garota.
O que eu realmente significo pra você? Um brinquedo? Um objeto de carência? Uma fuga, pra não se sentir sozinho? Apenas o ursinho velho?
E como se não bastasse me encher de falsas esperanças, me fazer acreditar que sou algo mais do que um brinquedo, você me botou de lado, e me jogou debaixo da cama, e correu aos braços de uma garota, não por uma garota qualquer, mais por aquela que vi crescer, sangue do meu sangue, prima, prima e amiga.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Nosso Recanto
17/12
Como é bom pode olhar pro mar de novo. O brilho do sol bate na água e forma pequenas estrelinhas.
O cheiro de serra, a pressão das montanhas, a sensação do vale, tudo é novo pra mim. Venho trazendo na mochila a esperança e a dor, e acabo deixando tudo no ônibus.
Agora chegou a hora, descer do ônibus e faze amigos de cinco dias. Sentir o cheiro das montanhas ao acordar e galopar.
Experience Beats acaba de terminar. Nunca havia voltado de uma festa com a maquiagem inteira e nenhuma gota de suor derramada, só de lágrimas.
Ela é estúpida ao ponto de não perceber o quão odiada é, e que não é, nem um pouco bem vinda aqui.
18/12
Nunca havia me sentindo tão livre. O vento batendo nos meus cabelos enquanto galopo no lombo de castelinho, em alta velocidade.
O som do casco batendo no chão, me hipnotiza e me ensurdece de todos os outros sons, a não ser do vento brincando com as folhas das arvores e do casco dos outros cavalos.
A festa a fantasia acaba de terminar, e Mário Bross assume a derrota. GAM OVER.
Fim de mais uma festa, e eu estou aqui de mãos dadas com um cara que nem o nome eu lembro, numa louca e nem um pouco eficiente de tirar você da minha cabeça por alguns instantes. Pensando em você nos braços de outro.
Arrependida, deito a cabeça sobre o travesseiro, e durmo ao som de nossa música.
19/12
A noite acabou e a manhã acaba de começar...
“Bom dia, bom dia!” sussurra uma voz no alto falante.
Abro a porta e a vista do Village me conforta. A brisa fria da manhã entra pelas mangas do meu casaco e acaricia o meu corpo, e me faz lembrar de você, quando passava gentilmente os lábios nos meus braços e me arrepio.
Uma das coisas que me conforta é saber que ao sair do café da manhã, vai estar lá, castelinho, o cavalo mais veloz do lugar, me esperando no estábulo pra me levar pra galopar mata a dentro no seu lombo.
Tudo está acabando, é hora de despedidas. Abraçada a João Felipe, Lívia chora. Carol, um pouco mais longe, chora um choro desesperado. Larissa, deitada no colo de uma amiga, derrama um oceano, olhando pra mim. E eu, com minhas lágrimas silenciosas, rezo para que você esteja aí, quando eu voltar, enquanto vejo seu nome se formar no fogo que sobe alto, fazendo som de estalos.
Subo a rampa do Village derramando rios e rios de lágrimas, e secando o rosto com a manga da jaqueta. Amanhã é dia de partir.
Voltarei pra cidade de origem, cheia de esperança e dessa vez medo, e vou te esperar, como sempre faço.
Como é bom pode olhar pro mar de novo. O brilho do sol bate na água e forma pequenas estrelinhas.
O cheiro de serra, a pressão das montanhas, a sensação do vale, tudo é novo pra mim. Venho trazendo na mochila a esperança e a dor, e acabo deixando tudo no ônibus.
Agora chegou a hora, descer do ônibus e faze amigos de cinco dias. Sentir o cheiro das montanhas ao acordar e galopar.
Experience Beats acaba de terminar. Nunca havia voltado de uma festa com a maquiagem inteira e nenhuma gota de suor derramada, só de lágrimas.
Ela é estúpida ao ponto de não perceber o quão odiada é, e que não é, nem um pouco bem vinda aqui.
18/12
Nunca havia me sentindo tão livre. O vento batendo nos meus cabelos enquanto galopo no lombo de castelinho, em alta velocidade.
O som do casco batendo no chão, me hipnotiza e me ensurdece de todos os outros sons, a não ser do vento brincando com as folhas das arvores e do casco dos outros cavalos.
A festa a fantasia acaba de terminar, e Mário Bross assume a derrota. GAM OVER.
Fim de mais uma festa, e eu estou aqui de mãos dadas com um cara que nem o nome eu lembro, numa louca e nem um pouco eficiente de tirar você da minha cabeça por alguns instantes. Pensando em você nos braços de outro.
Arrependida, deito a cabeça sobre o travesseiro, e durmo ao som de nossa música.
19/12
A noite acabou e a manhã acaba de começar...
“Bom dia, bom dia!” sussurra uma voz no alto falante.
Abro a porta e a vista do Village me conforta. A brisa fria da manhã entra pelas mangas do meu casaco e acaricia o meu corpo, e me faz lembrar de você, quando passava gentilmente os lábios nos meus braços e me arrepio.
Uma das coisas que me conforta é saber que ao sair do café da manhã, vai estar lá, castelinho, o cavalo mais veloz do lugar, me esperando no estábulo pra me levar pra galopar mata a dentro no seu lombo.
Tudo está acabando, é hora de despedidas. Abraçada a João Felipe, Lívia chora. Carol, um pouco mais longe, chora um choro desesperado. Larissa, deitada no colo de uma amiga, derrama um oceano, olhando pra mim. E eu, com minhas lágrimas silenciosas, rezo para que você esteja aí, quando eu voltar, enquanto vejo seu nome se formar no fogo que sobe alto, fazendo som de estalos.
Subo a rampa do Village derramando rios e rios de lágrimas, e secando o rosto com a manga da jaqueta. Amanhã é dia de partir.
Voltarei pra cidade de origem, cheia de esperança e dessa vez medo, e vou te esperar, como sempre faço.
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