terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Chuva

Chovia como nunca havia chovido antes, em araras.
E eu estava lá, refugiada de minha própria casa, tomando chuva na rua principal, deixando que ele camuflasse as minhas lágrimas.
Agarrada ao casaco largo, com o capuz na cabeça, querendo proteger o cabelo, eu chorava meu choro sofrido. Foi então que vi.
Vi cinco ou seis garotos correndo, com os fichários sobre as cabeças, protegendo-se da chuva, ou apenas em uma tentativa de, e o ultimo deles... lá estava ele. Forma angelical de cabelos loiros, balançando sobre a chuva.
Acho que minha boca, num ato involuntário, se entreabriu.
E no meio segundo que me distraí, eles, os cinco ou seis garotos trombaram comigo, me fazendo derrubar a minha agenda.
Ele se aproximou sorrindo, abaixou-se rapidamente, antes que eu pudesse pensar em fazê-lo, pegou minha agenda, e me entregou carinhosamente, com aquele lindo sorriso nos lábios, e os olhos brilhando.
- Você deixou isso cair.
- Ah... - a sensação era incrível, sua voz máscula e macia estava mesmo direcionada pra mim.
- Não liga pra eles.
Eu olhei pra trás e os vi rindo.
- São mesmo uns idiotas.
- Então por que anda com eles?
-Até eu achar gente melhor pra andar. – me deu uma piscadela. – Ahn... Sua agenda?
- Ah, obrigada. – peguei a agenda.
Já correndo ele se virou:
-Ajeite o capuz, seu cabelo está molhado, e você vai pegar um resfriado!

Só então percebi que meu rosto estava completamente molhado, meu cabelo, destrído, e ainda sim ele viera falar comigo.

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