17/12
Como é bom pode olhar pro mar de novo. O brilho do sol bate na água e forma pequenas estrelinhas.
O cheiro de serra, a pressão das montanhas, a sensação do vale, tudo é novo pra mim. Venho trazendo na mochila a esperança e a dor, e acabo deixando tudo no ônibus.
Agora chegou a hora, descer do ônibus e faze amigos de cinco dias. Sentir o cheiro das montanhas ao acordar e galopar.
Experience Beats acaba de terminar. Nunca havia voltado de uma festa com a maquiagem inteira e nenhuma gota de suor derramada, só de lágrimas.
Ela é estúpida ao ponto de não perceber o quão odiada é, e que não é, nem um pouco bem vinda aqui.
18/12
Nunca havia me sentindo tão livre. O vento batendo nos meus cabelos enquanto galopo no lombo de castelinho, em alta velocidade.
O som do casco batendo no chão, me hipnotiza e me ensurdece de todos os outros sons, a não ser do vento brincando com as folhas das arvores e do casco dos outros cavalos.
A festa a fantasia acaba de terminar, e Mário Bross assume a derrota. GAM OVER.
Fim de mais uma festa, e eu estou aqui de mãos dadas com um cara que nem o nome eu lembro, numa louca e nem um pouco eficiente de tirar você da minha cabeça por alguns instantes. Pensando em você nos braços de outro.
Arrependida, deito a cabeça sobre o travesseiro, e durmo ao som de nossa música.
19/12
A noite acabou e a manhã acaba de começar...
“Bom dia, bom dia!” sussurra uma voz no alto falante.
Abro a porta e a vista do Village me conforta. A brisa fria da manhã entra pelas mangas do meu casaco e acaricia o meu corpo, e me faz lembrar de você, quando passava gentilmente os lábios nos meus braços e me arrepio.
Uma das coisas que me conforta é saber que ao sair do café da manhã, vai estar lá, castelinho, o cavalo mais veloz do lugar, me esperando no estábulo pra me levar pra galopar mata a dentro no seu lombo.
Tudo está acabando, é hora de despedidas. Abraçada a João Felipe, Lívia chora. Carol, um pouco mais longe, chora um choro desesperado. Larissa, deitada no colo de uma amiga, derrama um oceano, olhando pra mim. E eu, com minhas lágrimas silenciosas, rezo para que você esteja aí, quando eu voltar, enquanto vejo seu nome se formar no fogo que sobe alto, fazendo som de estalos.
Subo a rampa do Village derramando rios e rios de lágrimas, e secando o rosto com a manga da jaqueta. Amanhã é dia de partir.
Voltarei pra cidade de origem, cheia de esperança e dessa vez medo, e vou te esperar, como sempre faço.
Nenhum comentário:
Postar um comentário