Poder sentir o seu sabor e o tão esperado toque das suas mãos em torno da minha cintura era tudo o que eu queria.
Toda espera um dia chega ao final, e a minha finalmente chegou.
Sua voz direcionada a mim. Seu cheiro impregnado em cada centímetro da minha pele. Seu sabor guardado pra sempre no meu paladar, da forma como nenhum outro ficou.
E hoje tenho a certeza de que amanhã estará aqui, de que seu olhar virá de encontro ao meu, que sou eu, e nenhuma outra a nossa volta.
Amar-te-ei como nenhuma outra te amou. Pura e simplesmente como a lei do último manda: mais que tudo e mais que todos.
Com cuidado me guiou por beijos longos, calmos, delicados, assim como a maneira com que percorreu cada centímetro do meu corpo, com suas mãos leves e ousadas.
Tímido, tomava o controle da situação facilmente, assim como tomou controle dos meus sentimentos logo na primeira vez em que me envolveu no seu abraço amigo. Sempre foi, e sempre será o meu melhor.
“De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”
(Soneto de fidelidade – Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.)
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