Uma escola particular qualquer – Sala [ ] , 9° ano B – Aula de matemática.
O que antes era veludo, agora é espinho.
Suas mãos macias, que me puxavam pela cintura, me acariciavam, passaram a cortar-me o coração, como punhais, que lentamente drenaram o pouco de sentimento que havia em mim... só restou o amor. Só restou a dor.
Mas afinal, será mesmo que o amor, é uma dor ?
Quando , ontem, eu abri a minha agenda, eu li :
“O amor pode ser um passatempo ou uma tragédia. ” . Sábio.
Dentro de uma sala de aula meu pensamento infantil, apaixonado, cria assas.
Rápidas asas...
Tão rápidas... Rápidas de um tanto, capazes de me levarem á um lugar além do tempo, além do espaço...
“Um dia próximo do 20°/12/08 -
Aquelas mãos...
Ah! Aquelas mãos... fortes...
Me sentia segura... me sentia entregue.
Entregue aos seus beijos, aos seus abraços, as suas cantadas as suas carícias...
No meu rosto ele depositou pequenas mordidas.
No lóbulo da minha orelha direita, lambidinhas.
Momentos.
“Momentos, que, por mais obscenos, íntimos que sejam, mudaram a minha vida.”
Mudaram o meu ser.
Tão mudada agora, essa pequena poetisa, que de pequena menina, passou a ser pequena mulher.
“Meninas, são tão mulheres...” – (Zeca Baleiro/Lulu Santos – Garotos)
Pequena mulher que sente, que ama, que chora, que se entrega.
Se joga de cabeça em um mundo nada fácil... nada simples.. Um mundo onde os fracos não tem chance, e nem os fortes. Um mundo em que os espertos é que ganham... um mundo onde já não se mostra mais a cara. Se mostra o plástico.
Já não se ama.
Já não se deseja.
Não convém mais desejar, convém mostrar o dinheiro e dizer :
‘Eu posso comprar !’
Não se compra amor.
Não se compra sentimentos.
Não se compra amigos.
Quisera eu, poder levantar o (maldito) cartão de crédito e dizer :
‘Quero comprar você ! Sim, você mesmo... que me beijou num dia desses.’
Tudo seria mais fácil, não seria ?
Maldita realidade, essa que me faz lembrar, que talvez eu não deva sorrir por sermos amigos, mas chorar por saber que nunca vamos ser mais que isso.
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